sábado, 7 de março de 2009

Preocupações de um Apicultor...

Faz hoje 15 dias que andei a ver as minhas colmeias e encontrei 2 a substituir a rainha. Pelas minhas contas já devem ter nascido as novas rainhas e já devem estar em idade de serem fecundadas mas com o tempo que tem ido tenho receio de que não possam sair da colmeia ou perderem-se com alguma rajada de vento... Vamos ver no que vai dar quando o tempo melhorar!

Assim sendo aproveito para falar um pouco sobre as rainhas.

Os enxames funcionam por castas, isto é, dentro da mesma espécie existem diferentes tipos de indivíduos com funções específicas. Assim sendo temos milhares de obreiras, centenas de zangãos e apenas uma abelha rainha que é responsável pelo desenvolvimento/crescimento da colónia.No centro da imagem está uma rainha que se diferencia das restantes abelhas pelo seu abdómen mais desenvolvido e pela coloração mais escura no tórax. Podem viver até aos 6-7 anos mas o seu tempo médio de vida útil para o apicultor fica-se pelos 2-3 anos.
A rainha tem como funções por ovos e produzir feromonas. Os ovos são fecundados no caso das rainhas e obreiras e não fecundados no caso dos zangãos. Quanto às feromonas estas são indispensáveis na coesão/organização do enxame pois impedem que as obreiras desenvolvam os seus ovários e comecem a por ovos não fecundados. Quando a rainha perde a sua capacidade de produzir feromonas as próprias abelhas do enxame criam uma nova rainha para substituir a velha.

Uma boa rainha pode por até 2-3 mil ovos por dia. Ao passo que as obreiras e os zangãos são criados em alvéolos na horizontal, as rainhas são criadas em alvéolos verticais, maiores que os outros e por isso fáceis de identificar.

Na figura pode ver-se 3 alvéolos reais, dois deles com cortes transversais mostrando dois estádios do desenvolvimento da rainha.
Existem várias razões para um enxame criar uma nova rainha. São elas:

1-Enxameação: quando as abelhas seguem o seu instinto de proliferação da espécie são produzidas muitas rainhas novas e antes de nascerem a rainha velha abandona a colmeia juntamente com metade da população, geralmente os alvéolos encontram-se nos bordos dos favos tal como se vê na figura em baixo;2-Substituição da rainha: quando a rainha é velha ou incapaz de produzir feromona suficiente para o enxame as abelhas criam uma nova rainha, geralmente em número reduzido (1 a 2 alvéolos reais) e os alvéolos encontram-se no meio dos quadros;

3-Emergência: quando por qualquer motivo a rainha morre ou desaparece e não existem alvéolos reias em desenvolvimento, as abelhas usam larvas de obreira com 1-2 dias para criar a nova rainha, geralmente criam várias ao mesmo tempo e os alvéolos não costumam ser muito grandes e encontram-se no meio do quadro como mostra a figura;


Nota: Muitas vezes a criação de rainhas de emergência é um método utilizado nos desdobramentos, método que também eu uso.

Ciclo vital da abelha rainha

Tanto obreiras como as rainhas têm origem no mesmo ovo, contudo o tratamento dado pelas obreiras e o tipo de alvéolo é o que as distingue ao longo do seu desenvolvimento.

O quadro em cima mostra-nos o tempo necessário para criar uma rainha e iniciar a sua postura.
O desenvolvimento é mais rápido que o das obreiras porque a rainha nasce do 15º ao 17º dia enquanto que as obreiras só nascem a partir do 21º dia. Também existe diferença na alimentação durante a fase larvar porque as obreiras começam a receber alimento feito com pólen e mel a partir do 3º dia depois da eclosão do ovo, ao passo que a rainha, alimenta-se única e exclusivamente de geleia real desde que eclode o ovo até morrer.

Se houver mais do que um alvéolo real na colmeia, a primeira rainha a nascer destrói todos os alvéolos restantes, ou no caso de ter nascido alguma rainha em simultâneo, lutam até que uma delas morra. É ainda possível que uma rainha virgem dê origem a um enxame secundário ou também chamado de garfa, em alturas de grande fluxo de néctar.

Para a rainha ser fecundada ela tem que amadurecer sexualmente (o que acontece 5 dias depois de nascer) e tem de realizar o chamado voo nupcial. Esta é a única altura na vida da rainha que sai da colmeia, sem contar, claro, com a enxameação. Quando sai da colmeia a rainha procura um local onde abundem zangãos e acasala com 1 ou mais zangãos até encher a sua espermateca (bolsa intra-abdominal onde guarda o esperma dos zangãos com que acasalou). Este processo pode prolongar-se por 3 ou mais dias porque depende da capacidade da espermateca da rainha e das condições meteorológicas. Após a sua fecundação a rainha demora mais 3 dias até que inicie a sua postura, o que feitas as contas, e se tudo correr bem, ocorre ao 27º/28º dia de vida da rainha. Assim para os assegurar-mos que tudo correu bem, aos 30 dias de vida da rainha devemos inspeccionar a colmeia para avaliar a sua postura.

Este é o processo normal de criação de uma rainha sem itervenção nossa, mas existem vários métodos para nós criar-mos rainhas em grandes números tendo em vista as nossas necessidades e sem esperar pelas abelhas. Mas isso fica para outras núpcias... Ficam aqui umas fotos da net para aguçar o apetite...

2 comentários:

  1. Olá amigo Hugo,

    parabéns pelo blog e pelo belo trabalho de divulãção da apicultura,sou brasileiro e crio abelhas nativas(sem ferrão ou abelhas indígenas/meliponíneos),mas gosto muito desse assunto,por isso encontrei seu blog,que por sinal,gostei muito.

    Abraço.
    Paulo Romero.
    Meliponário Braz.
    João Pessoa,PB.
    Brasil.

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  2. Olá,

    Escrevo porque estou interessada em realizar intercâmbios de links com a sua página web que trata da mesma temática que a minha. Eu poderia te oferecer um link em diferentes páginas.
    Escreva-me se estiver interessado. (joana.seo.portugal@gmail.com)

    http://abelhasdosor.blogspot.com/2009/03/preocupacoes-de-um-apicultor.html

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