segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Apicultura Kosovar...

Bem há já muito tempo que não dava notícias no meu blogue, fruto da minha estadia no Kosovo, cumprindo as minhas obrigações de militar e enfermeiro do Exército Português.

Mas como abelheiro que sou é claro que não podia desperdiçar a oportunidade para também neste território dos balcãs aprender um pouco mais de apicultura. Contudo penso que vou ficar pela reportagem fotográfica uma vez que a NATO tem políticas restritas de interacção com a população civil do Kosovo...

Portanto aqui fica algumas fotos e algumas ilações que vou retirando através da observação.

A apicultura aqui praticada é muito idêntica à nossa e ainda não consegui ver nada parecido com apicultura tradicional...

Já vi vários modelos de colmeias móveis mas o que mais me impressionou foi a presença das colmeias muito perto das habitações dos seus donos...

Mas depressa me apercebi do porquê de tão grande proximidade ao deparar-me com este cenário durante uma operação militar desenvolvida no terreno e que me permitiu alguma liberdade de acção...


Fiquei com muita pena ao constatar que não passava de um apiário abandonado, mas como a esperança é sempre a última a morrer lá consegui encontrar uma colónia de abelhas bem viva no meio de tantas colmeias... Foi então ai, que me apercebi da mansidão destas abelhas (muito parecidas às nossas...) que permitiram esta fotografia a uns escassos 30cm...


Bem por hoje fico-me por aqui mas prometo uma outra reportagem mais exaustiva e aprofundada sobre o Kosovo e a sua apicultura. Como última imagem aqui fica uma foto tirada no acampamento italiano na provincia de Pec que retrata um pouco o Kosovo rural... e a complexidade do seu clima...

Até à próxima!

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Comportamento SMR nas minhas abelhas?

Realmente as minhas abelhas não me param de surpreender... e desta vez muito pela positiva!

Já tinha conhecimento de que o comportamento SMR (Supress Mite Reproduction) é um indício de colónias mais resistentes às infestações de varroose mas nunca tinha observado tal coisa nas minhas abelhas.

Para quem não sabe o que é fica aqui um link em que é tudo explicado acerca do SMR: http://montedomel.blogspot.com/2009/06/varroose-o-principio-do-fim.html

Deparei-me com este cenário hoje numa inspecção de rotina para verificar se estava tudo bem nos apiários:Peço desculpa pela má qualidade da imagem mas no local não tinha mais do que uma máquina digital de fraca qualidade... Se repararem bem vão verificar que existem 8 alvéolos quase todos juntos em que as pupas já completamente formadas e com os olhos a ganhar cor, estão completamente desoperculadas. Segundo os meus conhecimentos só pode ser o famoso SMR mas se estiver enganado, peço que alguém me explique.

quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Incêndio em Ribeira de Pena... com muita pena minha...

Foi com imensa pena minha que ontem vi o início do que foi mais um dos grandes incêndios de verão, que fustigam o nosso país ano após ano, quando me encontrava na casa dos meus sogros no concelho de Cabeceiras de Basto, concelho limítrofe do concelho de Ribeira de Pena. Esta praga que deriva da muita falta de civismo que ainda predomina neste país!


Tenho a dizer que admiro muito quem luta contra estes infernos de fogo que causam imensos prejuízos ambientais, económicos e sociais. Um bem haja a todos os bombeiros deste país e do mundo por lutarem contra estas autênticas catástrofes!


Para nós apicultores, os incêndios representam mais do que a perda de rendimento das nossas abelhas, é também uma parte de nós que morre com elas, porque mesmo que as consigamos salvar desta catástrofe nas as conseguimos salvar da fome que vão sofrer em seguida devido à destruição do meio em que vivem e que demora muito a recuperar... Eu fico triste por me sentir impotente perante um cenário deste tipo. Eu arrisco a dizer que 99,99999999...................99999...............99999 dos incêndios que deflagram em Portugal tem mão humana e que desses 100% poderiam ser evitados apostando na formação cívica das pessoas, o que pode começar logo desde cedo na escola.

Também nós apicultores devemos ter algumas preocupações com os nossos fumigadores para evitar acidentes que possam descambar em calamidades deste género. Para além de ter muito cuidado com o fumigador, eu próprio tenho no carro um extintor que levo sempre quando vou visitar os meus apiários nao vá o diabo tecê-las...

Este era ontem o cenário ao cair da noite, que adivinhava uma longa noitada de duro trabalho para os soldados da paz que lá andavam a combater as chamas. Felizmente este incêndio teve o seu desfecho ainda hoje mas não se pode remediar o que não tem remédio, o estrago já foi feito e foram muitos os hectares de floresta que se perderam e se transformaram em cinza e fumo... Um único hectare perdido desta maneira já é um enorme prejuízo, quanto mais dezenas ou centenas deles...

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Varroose: Como combater esta enfermidade?

Agora que expliquei o que é a varroose e como se detecta decidi pegar numa excelente brochura produzida pela Universidade de Évora acerca do combate à varroose. Podem encontrá-la no seguinte link: Conviver com a varroa em Portugal.

Ainda assim para quem não quiser fazer o download deste documento vou deixar aqui algumas das informações nele contidas e que são de extrema utilidade.

Nota inicial: para melhor verem as figuras devem clicar nelas de forma a ampliar o seu tamanho. De referir que todas as citações e figuras foram retiradas do documento cujo link deixei no início do post.

Assim para combater a varroose podemos recorrer a métodos biotecnológicos, produtos químicos e ainda a uma mistura das duas anteriores opções chamada de protecção integrada.

(na figura: quadro com vantagens e desvantagens dos métodos biotecnológicos e dos tratamentos químicos homologados e não homologados)

Começo por deixar aqui um quadro com alguns métodos biotecnológicos que são eficazes na luta contra a varroose. Segundo esta brochura os métodos biotecnológicos "São particularmente indicados para apicultores de pequena dimensão que queiram deixar de utilizar (ou reduzir a utilização de) tratamentos químicos nas suas colónias. Os métodos que geralmente garantem maior sucesso, são os que consistem em ‘apanhar’ as varroas dentro da criação. Esta, depois de operculada, será retirada da colónia antes do ‘nascimento’ das abelhas, que conduzirá à saída das varroas."

(na figura: quadro com 2 métodos biotecnológicos explicando em que consistem e quais as suas vantagens e desvantagens)

Quanto aos tratamentos químicos existem vários tipos de acaricidas disponíveis no mercado. Fica aqui mais um quadro retirado da brochura contendo todos os acaricidas homologados actualmente. No entanto é de referir que por vezes surgem tratamentos químicos eficazes no tratamento da varroose mas que não estão homologados... isto é, são "substâncias utilizadas em colónias de abelhas sem que as consequências do seu uso tenham previamente sido (suficientemente) testadas."

Antes de apresentar os referidos tratamentos químicos convém fazer mais uma chamada de atenção: "Os princípios activos dos produtos comerciais usados na luta contra a varroa foram inicialmente desenvolvidos para combater pragas das culturas ou do gado. Quando comercializados como varroacidas, esses produtos estão especificamente formulados para uma utilização segura e eficaz em apicultura. As ‘mezinhas’ e outras ‘receitas caseiras’ feitas com os mesmos ‘ingredientes’ (muito frequentemente disponíveis como pesticidas para uso agrícola) devem ser rejeitadas, dado que podem inclusivamente ser muito prejudiciais às próprias abelhas. Por exemplo, sabe-se hoje que a utilização indevida destas práticas está directamente relacionada com as resistências que as varroas têm vindo a desenvolver aos produtos homologados, na maioria dos países europeus, incluindo Portugal. Podem também acarretar graves prejuízos à saúde dos consumidores de produtos das colónias, independentemente do impacto negativo incalculável que poderão vir a acarretar ao comércio de produtos apícolas, a nível nacional e/ou internacional."

(na figura: quadro com os tratamentos comercializados em Portugal e na UE)

São ainda mencionados no quadro anterior alguns tratamentos que são considerados alternativos por serem ácidos orgânicos ou óleos essenciais. São exemplos: ácido fórmico, ácido oxálico, timol, eucaliptol, etc... que podem ser utilizados na Apicultura Biológica porque o próprio mel já possui na sua constituição alguns destes ácidos ou óleos essenciais, sendo no entanto regulado os limites toleráveis destas substâncias no mel. Temos como exemplo gritante o timol porque em zonas que floresça muito tomilho (planta de onde se extrai o timol) o mel das colónias vai possuir quantidades mais elevadas desse óleo essencial na sua constituição.

Quanto à aplicação dos tratamentos: "O apicultor deve sempre seguir as indicações constantes no rótulo/embalagem dos medicamentos/substâncias que utilizar. Frequentemente, é no fim do Inverno e/ou após a cresta (Verão/Outono) que se aplicam a maior parte dos tratamentos. Contudo, nalgumas zonas do país os tratamentos poderão ser efectuados noutra altura do ano (por exemplo, em Julho). Quando aplicados no fim do Verão/início do Outono, os períodos concretos de tratamento das colónias contra a varroa dependem mais do tipo de princípio activo escolhido pelo apicultor. Por exemplo, os tratamentos com princípios activos cuja eficácia terapêutica depende da taxa de evaporação (por exemplo, de temperaturas mais elevadas para serem mais eficazes) devem ser aplicados mais cedo. Por outro lado, princípios activos que requerem ausência de (ou muito pouca) criação deverão ser aplicados mais para o fim do ano (Novembro /Dezembro, dependendo da região). Nalgumas regiões do país, poderão a generalidade das rainhas suspender temporariamente a postura durante o Verão, pelo que se pode considerar a hipótese de realizar, nesta altura, os tratamentos que requeiram ausência de criação (e desde que não entrem em conflito com a época de cresta). Sempre que o grau de infestação o justificar, dever-se-ão realizar tratamentos de emergência. Nas colónias muito infestadas com varroa, estes tratamentos devem ser aplicados numa altura em que ainda seja possível proteger um número suficiente de ciclos de criação, que, por sua vez, possam recuperar a colónia. Acresce que estes tratamentos de emergência poderão implicar que o mel dessas colónias não seja passível de vir a ser consumido pelo Homem, sobretudo se os tratamentos coincidirem com os períodos de produção intensa de néctar/melada."





E para quem não sabe o que são estes símbolos apenas digo que quando surgem nas embalagens de tratamentos químicos sgnificam que são tóxicos e/ou corrosivos e/ou nocivos para a saúde. Alguns dos tratamentos químicos anteriormente referidos tem estas propriedades pelo que se devem ter algumas precauções na sua manipulação e utilização de forma a evitar problemas para nós (porque os aplicamos) e para os outros (porque são potenciais consumidores dos produtos das nossas colónias sendo o produto mais expressivo o mel).

Assim para evitar-mos problemas na manipulação dos varroacidas devemos sempre usar luvas descartáveis no caso dos produtos de contacto, e no caso dos produtos que evaporam devemos ainda usar máscaras de protecção das vias aéreas. No caso dos ácidos orgânicos deve-se ainda usar luvas que confiram protecção contra eventuais derrames, o que sem protecção adequada pode significar queimaduras extensas e profundas....

Agora para evitar-mos que os produtos das colónias fiquem contaminados com os produtos químicos que utilizamos existe uma série de recomendações que podem ser seguidas. São elas:

-Respeitar sempre as instruções contidas nas embalagens;
-Nunca fazer tratamentos imediatamente antes e/ou durante os principais fluxos de néctar, ou quando as alças estiverem colocadas, a não ser que seja permitido nas indicações das embalagens (mas pelo sim e pelo não e porque a teoria da conspiração existe... mais vale ignorar esta indicação da embalagem quando surgir...);
-Apenas usar varroacidas quando for expressamente necessário, contribuindo a pesquisa activa de varroas para a decisão de tratar ou não tratar as colónias;
-Utilizar sempre medidas de comprovada eficácia e não usar as receitas caseiras de eficácia desconhecida...

Agora surge uma variante dos tratamentos que pode causar imensas dores de cabeça... as resistências aos medicamentos usados! Já existe em Portugal casos de elevada resistência aos produtos químicos mais usados como o fluvalinato (vulgo apistan).

(na figura: esquema de como surgem as resistências aos varroacidas)

Assim para impedir que surjam resistências recomendam-se algumas medidas:

1) "efectuar tratamentos apenas quando forem absolutamente necessários, face ao número de varroas presentes nas colónias";

2) "aplicar sempre as doses máximas de varroacida recomendadas pelas entidades responsáveis pela comercialização de produtos homologados para uso apícola";

3) "no final do período de tratamento, retirar sempre das colónias as tiras de varroacida usadas";

4) "não reutilizar tiras já usadas em tratamentos anteriores, pois elas serão ineficazes na luta contra a varroa, e poderão conduzir à morte as colónias com elas tratadas. Acresce que essa reutilização contraproducente só contribuíra para seleccionar varroas cada vez mais resistentes aos varroacidas usados";

5) "alternar tratamentos com substâncias activas de classes diferentes (por exemplo, usando rotativamente Apistan / Apivar / Apiguard)".

Por fim e porque os métodos biotecnológicos não são suficientes para travar a varroose por si só e porque não podemos praticar uma apicultura sustentável apenas com os tratamentos químicos é aqui que surge a protecção integrada que não é nada mais nada menos que a junção dos dois métodos anteriores. Esta trás os seguintes benefícios:

- "permite conciliar a apicultura com os ‘tempos actuais’, em que dominam ‘ventos de mudança’ para a redução do uso de pesticidas, nomeadamente por razões de segurança alimentar e saúde ambiental";

- "não é ‘controlo biológico’, mas permite a inclusão deste tipo de táctica no controlo da varroa. Não é um programa de ‘produção biológica/orgânica’, mas poderá facilitar a produção deste tipo de produtos. Não é ‘fundamentalista’ face ao uso de pesticidas (nomeadamente os sintéticos), mas visa reduzir a sua utilização na luta contra a varroa";

- "a utilização de um método biotecnológico pode atrasar o crescimento das populações de varroas ao ponto de contribuir para a redução da necessidade de utilização de varroacidas";

- "várias medidas de luta, de tipos diferentes e em diversas alturas do ano, dificultam o crescimento das populações de varroas a níveis tais que possam ser economicamente prejudiciais para o apicultor";

- "a utilização de dois ou mais varroacidas de famílias diferentes, torna menos provável o aparecimento de populações de varroas resistentes a cada um deles";

- "a estratégia de controlo e o tipo de método de luta a usar pode (e deve) ser ajustada ao contexto concreto de cada um dos apiários, de forma a atender às prováveis diferenças nos padrões específicos de evolução dos níveis de infestação".

Assim pode-se seguir o seguinte esquema de protecção integrada que é sugerido pelo pessoal da Universidade de Évora:


Com este apontamento final penso ter concluído a minha missão de explicar os tratamentos para a varroose com base num documento publicado pela Universidade de Évora de excelente qualidade e de acordo com a realidade portuguesa. Devo ainda reforçar que todos as citações e quadros foram retirados deste documento cuja bibliografia é: Murilhas, A; Casaca, J (2004). Conviver com a Varroa em Portugal. Um contributo para a adopção de boas práticas apícolas de convivência com a Varroa. Universidade de Évora / AGRO 354-2001. Évora (Portugal). 32 pp

Varroose ao ataque....

Após praticamente um mês sem ter um único momento para descansar, finalmente tenho o merecido descanso do guerreiro e posso dedicar um tempinho extra a este blogue que não tenciono abandonar.

Entre aventuras e desaventuras na vida profissional, fiquei a saber pelo meu irmão que uma das minhas colmeias estava bastante atacada por varroose, e mesmo depois de aplicado o tratamento de emergência, dificilmente resistirá. Por isso vou dedicar este post para tentar explicar o que é a varroose e como a detectar para podermos minimizar os seus efeitos nas abelhas, uma vez que de acordo com o actual conhecimento humano esta ainda é uma praga que assola as abelhas impossível de erradicar... Por isso há que aprender a viver com ela!

Mas o que é a Varroose?

A varroose é uma doença causada por um parasita, mais precisamente um ácaro cujo nome científico é Varroa destructor (antes era designada por Varroa jacobsoni). Este ácaro alimenta-se da hemolinfa ("sangue") das abelhas e reproduz-se juntamente com a criação das abelhas causando enormes prejuízos para a colónia quando existem em grandes números.


(foto de uma varroa, o que as distingue de um vulgar piolho das abelhas é o número de pares de patas, enquanto que os piolhos têm 3 pares de patas, as varroas possuem 4)

Esta parasitose é originária da Ásia onde existe uma espécie de abelhas (Apis cerana) perfeitamente adaptada a ela e cujo impato na vida da colónia é quase nulo. As nossas abelhas nunca tiveram contacto com esta doença, por isso não adquiriram comportamentos que lhes conferissem a capacidade de sobreviver, pelo que quando esta doença começou a afectá-las a mortalidade era quase de 100%...

Provavelmente o primeiro contacto desta doença com as nossas abelhas ocorreu nas Filipinas no início da década de 60 do século passado, com o importação de abelhas europeias. Posteriormente estas abelhas já infectadas com a doença foram comercializadas tendo rapidamente chegado à europa oriental entre os anos 60 e 70. Como as abelhas não possuiam comportamentos de defesa para esta parasitose, facilmente se disseminou pela Europa tendo chegado a Portugal pelo ano de 1986. Desde então tem sido uma luta constante, com avanços e recuos, para tentar controlar esta praga.

Como é que a Varroa se reproduz?

As varroas adultas parasitam as abelhas adultas, mas para se reproduzir utilizam as larvas, entrando nos alvéolos quando estão a ser operculados. A partir daí elas alimentam-se da hemolinfa das larvas e iniciam a sua postura. Consequentemente as larvas afectadas não irão ter um desenvolvimento normal pelo que é frequente que nasçam com as asas, patas e abdómen atrofiados morrendo pouco depois de nascerem. As que não morrem são eliminadas pelas abelhas adultas...
O que acontece na Apis cerana é que as varroas só procuram os alvéolos de zangão para se reproduzir, enquanto que nas abelhas europeias utilizam também as larvas de obreira, conferindo assim um maior grau de infestação à colónia e consequente morte.


Esta figura ilustra bem o ciclo de vida da varroa. Começa por parasitar as abelhas adultas, transferindo-se depois para a criação operculada. Aí as fêmeas iniciam a sua postura após 60h do fecho do alvéolo, pondo um ovo de 30 em 30h. Após a eclosão dos ovos as larvas da varroa começam a alimentar-se também da hemolinfa da pupa até ao seu desenvolvimento completo. Ainda antes de sairem do alvéolo juntamente com a abelha adulta, as fêmeas acasalam com os machos resultantes da postura, ficando os machos e as fêmeas imaturas dentro do alvéolo, morrendo pouco depois da abelha adulta sair do alvéolo. Findo este ciclo as varroas que saem do alvéolo vão "agarrar-se" à abelha mais próxima e acompanham-na no que ela fizer, só a largando para iniciar uma nova postura noutro alvéolo contendo uma larva de abelha.


(nas fotos: à esquerda uma varroa sugando a hemolinfa de uma larva, ao centro uma varroa a sair de um alvéolo juntamente com a abelha, à direita uma abelha que foi parasitada por uma varroa durante a sua metamorfose)

Como se propaga a Varroose?

As varroas adultas não se conseguem deslocar de uma colónia para outra sem ajuda por isso usam as abelhas adultas para se deslocarem. Assim os fenómenos de pilhagem, enxameação, deriva e livre trânsito de zangãos contribuem para disseminar esta doença. Principalmente em áreas densamente povoadas de abelhas como a região onde vivo a pilhagem e a enxameação são as duas principais causas de disseminação. Isto conjuntamente com más práticas de maneio apícola por parte dos meus vizinhos apicultores fazem com que esteja sempre em alerta máximo para prevenir males maiores, uma vez que a reinfestação é quase certa após os tratamentos...

(na foto: abelha em pleno vôo carregando uma varroa)

Como se manifesta esta doença?

Em colónias bem povoadas e com um reduzido número de ácaros esta praga não existe nenhum efeito visível mas quando a infestação atinge números elevados de ácaros os efeitos são visíveis tanto na população adulta como na criação, culminando no colapso da colónia.

Os efeitos sobre as abelhas são: diminuição do tempo de vida, diminuJustificar completamenteição do peso, deformidades nas asas, patas e abdómen e ainda diminuição da capacidade de resistência a outras doenças como micoses e viroses (este aspecto é bastante importante porque existem vírus que em condições normais não são significativos para as colónias mas em sobreposição com a varroose podem exponenciar os estragos nas colónias).

Geralmente esta doença manifesta-se mais em períodos de pouca criação nas colónias, ou seja, a partir do verão. Isto porquê? Porque durante a primavera existe muita criação e a colónia consegue assegurar a substituição das abelhas adultas o que lhes permite sobreviver, contudo os acáros vão sempre aumentando de número até chegar ao ponto em que a colónia não consegue assegurar a substituição das abelhas adultas devido aos efeitos que a infestação de ácaros tem na criação, o que regra geral acontece nos períodos de baixo fluxo de néctar. Nesta fase o declínio da colónia até à morte é bastante rápido, podendo acontecer entre 2 a 4 semanas e os sinais de morte eminente da colónia são:
-um decréscimo muito acentuado na população de abelhas adultas;
-uma relação muito pequena entre o número de abelhas e a área ocupada pela criação (geralmente as abelhas são insuficientes para cobrir a área da criação);
-muitas abelhas com asas e/ou patas e/ou abdómen deformados;
-presença de muitas varroas nas abelhas sobreviventes e nos alvéolos de criação;
-muitas anomalias na criação como pupas desoperculadas, criação salpicada, larvas mortas nos alvéolos não tendo sido retiradas pelas abelhas, etc...

Quando se observam estes sintomas, em regra geral nada se pode fazer para salvar a colónia, mesmo utilizando tratamentos muito eficazes no combate à varroa.










(nas fotos: à esquerda quadro de criação típico de uma colónia infestada por varroas com morte eminente; à direita foto de uma abelha deforma
da e parasitada por varroas)

Como detectar a doença antes de causar danos irreversíveis?

Existem alguns métodos que permitem verificar o grau de infestação, por varroose, de uma colónia permitindo assim uma intervenção a tempo de impedir consequências graves para a colónia e obviamente para o apicultor. É óbvio que os métodos que vou indicar a seguir requerem algum esforço e tempo por parte do apicultor, mas escolher entre isso ou perder algumas colónias senão quase todas eu prefiro a primeira opção!

Primeiro método: uso de um acaricida eficaz na procura de varroas

Para este método precisamos de um estrado especial, que permita recolher as varroas que morrem dentro da colmeia sem que as abelhas as removam, e de um acaricida eficaz. O estrado é colocado na colónia no dia antes, substituindo o antigo. No dia a seguir é colocado o acaricida seguindo as indicações do laboratório que o produz.

(na foto: colocação do acaricida na colmeia)

(na foto: estrado anti-varroa)

Deve-se esperar 24h para contar as varroas que tiverem morrido ou caido naturalmente para o estrado. Se caírem mais de 50 (no início da primavera), ou mais de 250 (no início do verão) as colónias devem ser tratadas, podendo neste caso o acaricida ser mantido durante o tempo que deve durar o tratamento. Se não houver necessidade de realizar o tratamento o acaricida deve ser retirado.
Este método permite uma boa monitorização do grau de infestação mesmo quando existem poucas varroas, ao passo que o acaricida pode ser mantido como tratamento. A única desvantagem é que o uso por 24h de um acaricida pode fomentar o aparecimento de resitências aos princípios activos dos tratamentos.

Segundo método: controle do nível de infestação na criação operculada

Para este método precisamos de um quadro com criação operculada, uma faca de serrilha, um crivo com malha de 5mm e outro de malha de 0.5mm. Precisamos também de água.
Neste método selecciona-se um quadro com criação operculada e sacodem-se todas as abelhas para o interior da colmeia. Em seguida com a faca corta-se um recângulo de favo com criação com pelo menos 30 cm quadrados de área. Já fora do apiário calcula-se correctamente a área do favo e multiplica-se por 4.2 (no caso de criação de obreira) ou por 2.9 (no caso de criação de zangão) de modo a obtermos o número total de alvéolos operculados. Em seguida desopercula-se os alvéolos e coloca-se tudo no crivo de 5mm com o de 0.5mm por baixo. Lava-se todo o favo com a ajuda de um chuveiro até que saia toda a criação dos alvéolos. Deixa-se escorrer e em seguida contam-se as varroas que ficaram retidas no crivo de 0.5mm. O grau de infestação em % será igual ao (nº de varroas x 100)/ nº de opérculos da amostra.
Valores superiores a 15% no caso de criação de obreira, ou de 30% no caso de criação de zangão, são motivo para realizar um tratamento imediato.
Este método tem a vantagem de nos dar um grau aproximado da infestação avaliando assim a necessidade de as tratar a curto/médio prazo. É relativamente fácil de executar durante rotinas do apiário e não tem impacto significativo para a colónia desde que não seja praticado mais de 6 vezes ao ano. Contudo este método não é muito viável para níveis baixos de infestação e necessita de ser aplicado num quarto das colónias do apiário para os valores obtidos serem fiáveis.

(na foto: colheita de favo para detecção de varroas na criação)

Terceiro método: Procura de varroas na população adulta

Neste método precisamos de um frasco, água com sabão, 2 crivos sendo um com malha de 5mm e outro com malha de 0.5mm e de abelhas adultas.
Secciona-se a colmeia e de um quadro colhem-se 100 a 200 abelhas adultas que são colocadas dentro de um frasco, sendo este fechado de seguida e só será aberto quando todas as abelhas estiverem mortas. Em seguida enche-se o frasco com água e sabão e mexe-se durante um minuto, vertendo-se em seguida o conteúdo para os dois crivos (um em cima do outro ficando o de 0.5mm de malha por baixo). Certificamo-nos que não ficam varroas no frasco (se ficarem contam-se as que ficam) e lava-se as abelhas que estiverem no crivo com a ajuda de um chuveiro pelo menos durante 1 minuto. Em seguida contam-se as varroas que ficaram no crivo de baixo e caso se detecte alguma contam-se também todas as abelhas da amostra. O grau de infestação em % será igual a (nº de varroas x 100)/ nº de abelhas da amostra. Se o grau de infestação for igual ou superior a 3% deve ser aplicado um tratamento eficaz em todo o apiário.

(na figura: esquema com etapas do terceiro método mencionado em cima)

Este método é fácil de executar e fornece alguma informação sbre o grau de infestação da colónia mas para ser fiável deve ser realizado em pelo menos um quarto das colónias do apiário. Contudo esta técnica não nos dá informação sobre níveis baixos/médios de infestação pelo que apenas ajuda na decisão de tratar ou não tratar a colónia...

Quarto método: Inspecção da criação de zangãos

Com este método determina-se o grau de infestação na criação de zangãos. É de fácil execução e permite uma indicação instantânea do grau de infestação. Contudo não é eficaz para baixos níves de infestação...

Passando ao método: selecciona-se um quadro com criação de zangão e com a ajuda de um garfo desoperculador espetam-se e retiram-se as pupas de zangão. Faz-se isto para pelo menos 100 alvéolos de zangão e contam-se as pupas infectadas com varroa. 5% de pupas infectadas revelam uma infestação leve mas acima de 30% já existe uma grave infestação que requer tratamento urgente!

(na foto: procurando varroas na criação de zangão)

Quinto método: Monitorização da morte natural das varroas

Este método é o menos perturbador para as abelhas e permite detectar a presença de relativamente poucas varroas na colónia mantendo os estrados de recolha de varroas que são utilizados no primeiro método. Controlam-se quinzenalmente os estrados, contando as varroas mortas lá presentes e dividindo pelo número de dias desde a última contagem. Isto viairevelar uma taxa diária de morte de varroas o que nos pode ajudar a ter uma noção da quantidade de varroas na colónia. Frequentemente, colónias que não são (eficazmente) tratadas morrem antes do fim da próxima época de produção (Agosto/Setembro) se a queda diária de varroas exceder os seguintes valores: Outubro/Novembro: 3 varroas; Dezembro /Janeiro:10 varroas; Fevereiro/Abril: 15 varroas;Maio/Junho: 20 varroas.

Este método requer dispêndio extra de tempo e de visitas ao apiário, implicando por vezes também a adopção de medidas contra formigas, porque estas podem remover as varroas dos estrados se estiverem ao seu alcance...


Existe ainda um ou outro método que pode ser utilizado para detectar varroas nas colmeias mas eu apenas conheço estes. Vamos ver se a varroose continua a fazer das suas pelo verão fora...

sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Quanto tempo o tempo tem? (parte II)

Bem isto anda bem bonito cá para o meu lado... Nem tempo tenho tido para ir a casa quanto mais para ver as abelhas... Actividades como o a cresta e o tratamento para a varroose foram tarefas delegadas ao meu irmão que tem dado uma ajuda preciosa nesta época mais difícil para mim.

De salientar que ainda assim tivemos uma média de 15 Kg de mel por cada colmeia crestada... um valor abaixo da média, principalmente devido às flutuações climáticas anormais que se fizeram sentir durante a Primavera. Melhores tempos virão e como a apicultura por enquanto é um hobbie não me queixo!

Mas mesmo assim devo fazer um balanço positivo da época porque mesmo com todos os contra-tempos consegui aumentar o meu efectivo para o dobro e ainda assim conseguir ter algum mel para adoçar a boca!

Agora começa o tempo de maior escassez e é preciso olho vivo nas reservas das colmeias! É tempo também para fazer tratamentos para a varroose porque vai atacar em força, agora depois da Primavera!

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Quanto tempo o tempo tem?

A experiência que tenho na apicultura já me fez ver que é difícil fazer planos a médio/longo prazo quando se trata de abelhas... Ou é porque o clima não ajuda, ou não temos material suficiente, ou é a varroa que faz das suas, ou então mesmo porque não temos disponibilidade...

Eu neste momento padeço da última opção... porque enquanto a apicultura não passar de um hobbie existem sempre outras obrigações que se impõem entre nós e as abelhas. Neste caso o meu horário de trabalho e o facto de ter estado doente ao mesmo tempo. Ainda não vai ser este ano que vou transumar pela primeira vez, logo agora que as coisas parecem ir de feição para o girassol com as chuvas dos últimos dias. Mas nada está perdido e a paixão pelas abelhas continua! Hão-de haver mais oportunidades porque as abelhas essas já as tenho e não prescindo delas!


P.S.: Este mês devemos fazer a declaração de existências de colmeias e cortiços. Quem não o fizer pode sujeitar-se a sanções legais, mesmo tendo apenas uma colmeia. Esta declaração não é apenas para os apicultores que tenham muitas colmeias, mas sim para todos.


domingo, 31 de Maio de 2009

Néctares em baixa...

Agora que as altas temperaturas se fazem sentir só apetece enfiar-me no carro e ir até à praia, mas como a mais próxima fica a 150km e não é de grande qualidade mais vale ir visitar as abelhas e apanhar um belo banho se suor!

Mas as altas temperaturas trazem também com elas o fim dos fluxos de néctar, pelo menos aqui na minha região, pelo que as rainhas começam a reduzir a postura e a população das colónias a diminuir.

Mas como existe floração durante quase todo o ano, mas que não é geradora de grandes meladas, também me entretive a verificar quais as plantas que estão a florir e são de interesse apícola. Destaco a flor das silvas e ainda alguns cardos.


(foto de uma silva em flor)

As silvas são fonte de néctar e de pólen nesta altura quando as fontes de néctar esgotam. Já os cardos a que me refiro (Galactites tomentosa) o grande fluxo de néctares deles já passou. Restam agora apenas alguns enquanto a famoso "cardo de abelha" (Carlina racemosa) ainda não dá flor.


(foto de um cardo em flor)

Contudo registo um facto curioso durante a inpecção das colmeias... Deparei-me com uma abelha a depositar pólen num alvéolo. Até aqui nada de mais mas fiquei surpreendido com a sua cor! O pólen era roxo! Não sei de onde possa vir este tipo de pólen mas não deixa de ter uma coloração pouco comum. Fica aqui uma foto para não restarem dúvidas!



Cada vez mais a cresta aproxima-se e é tempo de fazer cálculos ao mel que vai ser retirado para ver se tenho forma de garantir o seu armazenamento em condições! E se tudo correr bem ainda vou levá-las a passear até ao girassol!

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Palestra com Vicente Toledo

Bem são 2h da manhã e eu finalmente tenho tempo de relatar aqui os acontecimentos do domingo passado...

Foi com enorme prazer que estive presente no Tramagal para uma palestra com um dos maiores apicultores chilenos, o Sr Vicente Toledo.

A palestra decorreu no auditório da ARTRAM e contou com a presença de alguns ilustres da apicultura portuguesa, entre eles o Sr. Vicente Furtado, o Sr. Domingos Alves, Sr. Ildebrande, a Eng.ª Rosário da associação Melgarve e o Sr. António Patrício representante da Apiguarda.

A palestra começou com uma introdução feita pelo Sr. Urbano Rosa e pelo Sr. António Patricio e depois com uma breve apresentação de todos os presentes.

(na mesa: à esquerda o Sr. António Patrício, ao centro o Sr. Vicente Toledo e à direita o Sr. Urbano Rosa a proferir algumas palavras inaugurais)


video
(no vídeo: filmagem da sala com todos os presentes na palestra)

Em seguida a dita palestra, onde o Sr. Vicente nos falou acerca das raças que usa e como cria as rainhas a partir delas. Devo dizer que fiquei deveras impressionado com o nível de sistematização e metologia empregada em todo o processo de criação de rainhas e pude concluir com alguma ironia que ainda estamos a anos-luz do desejável... mas um dia havemos de lá chegar!
(o Sr. Vicente a iniciar a palestra)

Ia a palestra a meio e interrompe-mos para o almoço, que fruto de uma excelente organização por parte do colega Paulo Santos (conhecido como Limeiras no fórum forumvila) se tornou num excelente convívio entre os presentes a par de uma excelente gastronomia!

(foto do almoço convívio)

Passado o almoço regressámos novamente ao auditório sequiosos de mais uns ensinamentos e as expectativas foram alcançadas! Em si a técnica de translarve é simples mas o que contam são os pormenores e de certeza que os ensinamentos adquiridos neste dia vão ser muito úteis para o futuro. Mas como não podia deixar de ser da praxe tivemos também direito a uma aula prática! (mais uma vez o nosso colega Paulo Santos esteve na sua melhor performance ao providenciar uma colmeia povoada para a aula prática).

(início da aula prática)

Então para nossa surpresa, quando esperávamos um ataque eminente das nossas valentes apis mellifera iberiensis, eis que nos brindam de uma mansidão tal, que se não fossem negras diriam que eram ligusticas, o que permitiu aos presentes retirar máscaras e luvas sem que algo acontecesse! Não sei se voltarei a assistir a tal cena pois não tenho abelhas tão mansas nos meus apiários... Nesta aula prática pudemos aprender alguns pormenores importantes de como fazer criação de rainhas, como marcar uma rainha e encontrá-la na colmeia, como fazer desdobramentos e como seleccionar as larvas para translarve. No fim da aula prática lá tirá-mos a foto de grupo!

(foto de grupo)

Findo o dia, deu-se a aula por terminada e cada um teve de ir à sua vida mas não sem antes nos despedir-mos de cada um e fazer a habitual troca de contactos. Fiquei impressionado com a quantidade de jovens que estiveram na palestra, de certeza um bom indicador de que algo está a mudar na apicultura portuguesa e desta vez para melhor!

Achei esta iniciativa muito lucrativa porque todo o ambiente que se viveu durante a palestra propiciou uma troca de conhecimentos e de experiências muito grande. Espero que no futuro estas palestras comecem a ser mais frequentes e que a nível nacional comecemos a tomar consciência de que algo tem de ser feito por nós, os portugueses! Coloquemos os olhos no que de melhor se faz lá fora e identifique-mos o que temos a fazer para atingir níveis de excelência!

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Hora do Balanço...

Só ontem em mais de uma semana consegui ir ver as minhas colmeias com algum vagar... Este ano não tem sido grande coisa e até para os desdobramentos não está a correr bem... As rainhas demoram muito tempo a ser fecundadas e é quando o são...

O grande fluxo de néctar da Primavera já terminou e é escusado pensar que elas vão conseguir fazer mais mel. Este ano o rosmaninho veio muito cedo e o tempo seco aliado ao vento não ajudou em nada na produção de mel. Este ano fica entre os médios a fracos em termos de produção. As colmeias que se safam são as que não enxamearam, mas se conseguir retirar, em média, 20kg de mel de cada uma será óptimo, contudo poucs foram as que não enxamearam. Este ano tive um grande aumento no efectivo mas à base de desdobramentos, enxames capturados e alguns enxames comprados...

Devido à interrupção quase abrupta do fluxo de néctar as colónias estão já a reduzir a postura. Nunca tal me tinha acontecido nesta altura do ano. Em regra costumam ter uma grande quantidade de criação (8 a 9 quadros da reversível cheios) até quase à cresta em meados de junho, mas este ano a maioria está já abaixo dos 6 quadros de criação. Vamos ver como vai ser o verão...

Mas pronto chega de lamúrias e há que pensar que todo o esforço de uma época apícola está quase a ser recompensado com o tirar do mel, o nosso ouro líquido! Ahh e pela minha primeira vez estou a pensar transumar para o girassol. Portanto há que também providenciar toda a cadeia logística que me permita isso!

quinta-feira, 7 de Maio de 2009

O meu muro apiário...

Pois é! Agora também eu tenho o meu muro apiário e não me deu trabalho nenhum a construir...

Na busca de um lugar para o meu 3º apiário deparei-me com um monte abandonado, reliquia de tempos passados e que reunia todas as condições para poder colocar lá abelhas, ou seja, existe um ribeiro a 50m de distância, muita flora melífera com predominância de rosmaninho, orientação para nascente, e protegido dos ventos frios do norte, aliás ali existe protecção para quase todas as direcções de vento...


E como se não chegasse ainda tem um portão que se eu quiser posso fechar a cadeado para evitar alguns males...


Não é uma estrutura feita para o propósito mas serve perfeitamente e tem muito espaço para as colmeias. Nem sequer tive de endireitar o terreno pois já estava acimentado!

Nas imediações existem ainda salgueiros em abundância e também muitos freixos. Contudo desconheço o valor apícola destes últimos... Fica aqui uma foto deles.



Depois de pedida autorização aos donos do terreno já lá estão as priemiras colmeias, a testar o terreno!

domingo, 26 de Abril de 2009

Apelo

Hoje dia 26 de abril recebi este comentário num dos meus posts e por isso decidi divulgar dada a importância do mesmo:

ventura pires disse...

Será que algum apicultôr das redondezas de Abrantes me ajuda a localizar cico colmeias lusitanas que os amigos do alheio me levaram de segunda para terça feira de carnaval teêm as tampas de chapa pintadas de branco? e teêm um v e um p pintado a spray preto tanto nas colmeias como na tampa são novas e provávelmente estarão ao lado umas das outras suspeito de uns empreiteiros que trabalham para a edp no dia antes do desaparecimento estiveram a trabalhar perto delas agradeço qualquer informação para 961086236 (Ventura Pires) Obrigado.


Se alguém tiver alguma informação acerca deste assunto por favor entre em contacto com o Sr. Ventura Pires. Hoje ele, amanhã poderemos ser nós. É caso para dizer que eles andam ai!...

sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Escaravelhos e lavouras...

Estas são duas pragas apícolas que ninguém fala e não vêm referenciadas em nenhum livro.

Os escaravelhos de que falo são os que mostro na foto mas não sei dizer qual a espécie a que pertencem. Apenas sei que passam a vida a tentar entrar nas colmeias e quando entram comem mel e as ceras que não estejam ocupadas. Por vezes são tantos que chegam a tapar a entrada das colmeias na tentativa de entrarem. Depois é ver as abelhas a tentar pica-los para desimpedir a entrada. Quando visito os apiários uma das primeiras operações que faço é desimpedir as entradas das colmeias matando os escaravelhos.


Agora as lavouras... Ou melhor dizendo as desmatações descontroladas que os proprietários levam a cabo numa tentativa de prevenir os incêndios... São um autêntico desastre quando ocorrem porque deixam os solos expostos à erosão e poem em risco a biodiversidade do montado. A vegetação leva muito tempo a recuperar e as abelhas ficam sem as suas fontes de néctar e pólen. Devia ser proibido este atentado à natureza!

Neste momento está a ocorrer mais uma destas desmatações nas imediações de um dos meus apiários e é de tal forma extensa que já está a comprometer seriamente a produção de mel. Se continuar provavelmente vou ter que mudar as colmeias para outro sítio...

domingo, 19 de Abril de 2009

Apanhar enxames...

Realmente depois de mais de uma semana sem poder inspeccionar as colmeias devido ao mau tempo, só poderia ter dado neste resultado: 5 enxames que saíram ontem e quase todos à mesma hora! Eu não queria que eles saíssem mas o inevitável aconteceu e assim depois tive que os apanhar... Ainda consegui gravar estes momentos de azáfama em foto e vídeo. Por isso aqui ficam 2 vídeos para ilustrar esta época apícola de grande actividade.

Aqui fica o vídeo de um enxame a sair da colmeia.

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E para quem nunca apanhou um enxame aqui fica mais um vídeo de como pode fazer. Este foi o método que eu aprendi com apicultores mais experientes, mas com certeza existem outros.

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Esta operação foi repetida 5 vezes só ontem, mais do que eu desejaria mas não fico descontente porque consegui apanhá-los a todos!


quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Prevenção da enxameação...

Existem vários métodos de prevenir a enxameação. São eles: dar espaço à colónia; arejar a colmeia; cortar as asas à rainha; utilizar uma grade excluidora de rainhas na entrada da colmeia; arrefecer o ninho com a remoção de ceras velhas e adição de quadros com cera moldada, e a destruição semanal dos alvéolos reais. Contudo falta um método pouco divulgado e que dá muito bons resultados. É a técnica "Demaree".

Esta técnica aprendi-a num fórum de apicultura e fica aqui o link para quem quiser consultar: Demariagem.

O grande objectivo desta técnica é separar a rainha da maior parte da criação o que leva a que a rainha não tente enxamear porque existe um grande arrefecimento da colmeia ao mesmo tempo que aumenta o seu espaço de postura sem perda de abelhas ou quadros com criação.

Assim precisamos de:
1- um ninho extra com quadros com cera puxada (para que a rainha não perca tempo a iniciar a postura novamente);










2- uma grade excluidora de rainhas;


Depois de termos arranjado o material só precisamos de uma colmeia que esteja a tentar enxamear. Então aqui o primeiro passo será encontrar a rainha.










Depois de encontrada a rainha, o quadro que a contém é colocado no centro do novo ninho e é aplicada a grade excluidora por cima deste. Em seguida o ninho velho é removido para o lado e o ninho novo é colocado no seu lugar.










Feito isto, e colocando a grade excluidora entre os dois ninhos, coloca-se o ninho velho por cima do novo e colocam-se as alças já existentes, com ceras puxadas ou mel, por cima dos dois ninhos. E assim damos por completa a operação de prevenção da enxameação por agora.


Se esta técnica for bem executada o instinto da enxameação será eliminado por completo até que a colónia volte a não ter espaço dentro da colmeia, ou seja, quando o ninho novo estiver cheio.

Nota: durante esta operação todos e quaisquer alvéolos reais existentes, devem ser eliminados e ao fim de 9 dias deve ser feita uma nova inspecção à colmeia para verificar se surgiram novos alvéolos reais. É normal que surjam alvéolos reais de emergência porque as abelhas no ninho velho vão notar uma diminuição da quantidade de feromona da rainha e assumir que esta está ausente ou velha tentando criar uma nova rainha que a substitua.


Esta técnica apresenta algumas vantagens e desvantagens.

Vantagens:
1- Não há perda de efectivos da colónia;
2- Gasta-se pouco material;
3- As caixas superiores enchem-se mais rapidamente com mel;
4- Evita-se o bloqueio de postura da rainha e ganha-se mais espaço para a criação;

Desvantagens:
1- Surgimento de alvéolos reais de emergência no ninho velho (obriga a uma revisão ao fim de 9 dias);
2- Se tiverem sido usados produtos químicos, não recomendados, no ninho velho que possam contaminar as ceras e posteriormente o mel, este não deve ser misturado com o restante para evitar contaminação cruzada de toda a produção de mel. Estes quadros de mel podem ser aproveitados para fortalecer colmeias mal povoadas ou núcleos, ou então utilizados como alimentação no inverno.

Este é mais um método entre outros tantos mas nenhum é infalível e nunca se podem excluir erros de maneio durante a execução por isso apelo a quem veja o meu blogue, que se houver alguma incorrecção na explicação ou omissão de alguma informação que faça o favor de dizer que terei todo o gosto em emendar!

quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Afinal existem!

Pensava eu que já não existiam apiários de cortiços na minha terra natal quando hoje me deparo com este cenário.

Afinal parece que a tradição ainda persiste! Bem haja a quem a preserve!

domingo, 5 de Abril de 2009

Mais marcação de rainhas...

Existem vários métodos para marcar rainhas e muitos deles "expeditos"...

Este é mais outro. Decidi pegar numa ideia já existente e transforma-la noutra mais prática!

Para quem trabalha em meio hospitalar ou em veterinária consegue arranjar facilmente uma seringa de alimentação ou de 100cc como a que se vê na figura em baixo.

Em seguida só temos que cortar uma secção da seringa com 1 cm de altura e arranjar forma de um dos lados ser tapado com uma rede que não deixe passar abelhas. Tal como eu o fiz e passo a mostrar.

Depois com esta pequena armadilha só temos que localizar a rainha no quadro e colocar a armadilha por cima dela. Desta forma não temos que agarrar a rainha ou ter que andar atrás dela. Depois é só marcar a rainha através da rede com a caneta própria para isso e deixar secar a tinta antes de libertar a rainha. Eu não detectei qualquer tipo de reacção das abelhas ao aprisionamento da rainha e sua marcação mas existe essa possibilidade sempre que se marca uma rainha seja qual for o método.



terça-feira, 31 de Março de 2009

Consanguinidade...

Peço desculpa pela minha ausência prolongada mas a minha profissão faz destas coisas... E entre formação e trabalho não resta muito tempo... Contudo o bicho abelha ainda cá anda!

Durante este tempo aproveitei para fazer uma coisa que alguns apicultores inconscientemente não ligam: Evitar consanguinidades! Criar-mos as nossas rainhas ou fazer-mos desdobramentos sempre com as mesmas colónias sem introdução de novo material genético rapidamente faz com que existam problemas de consanguinidade nos nossos apiários que se manifestam ao nível da criação da colónia, com o aparecimento de ovos ou larvas inviáveis e que acabam por morrer antes de se tornarem numa abelha adulta.

Como podemos evitar estas consanguinidades? Simples! Basta a introdução de colónias vindas de outros apiários de apicultores amigos ou que se dediquem ao comércio de enxames. Esta introdução de material genético vai permitir aumentar a chamada variabilidade genética dentro do apiário através dos zangãos que esta nova colónia produza e que podem acasalar com as rainhas criadas no mesmo apiário. Assim evita-se que surja a criação inviável com consequentes danos no desenvolvimento e posterior produção da colónia.

Posto isto resta-me dizer que adquiri duas colmeias em Lisboa e distribui-as pelos meus dois apiários. Nada mais simples de fazer e que nos permite evitar problemas graves de continuidade das nossas colónias.

Em jeito de nota final ao fazer-mos a aquisição de novos enxames a outros apicultores devemos ter em conta os seguintes aspectos: caracteristicas da colónia (enxameação, comportamento higiénico, produtividade, mansidão, etc...), controlo sanitário (verificar se não existe infestação de varroas, loque, etc...) e também a idade da rainha da colónia (não vale a pena adquirir colónias com rainhas velhas e que tenham de ser substituídas em pouco tempo...).

sábado, 21 de Março de 2009

Preservar a tradição...

Hoje decidi dedicar-me à bricolage! Peguei nos dois canudos de cortiça que possuía e transformei-os em dois cortiços. Mas antes tive que arranjar uns paus de esteva para fazer as trancas e os sovinos, e umas pranchas de cortiça para fazer as tampas.


Agora que os materiais estão reunidos mãos à obra! O primeiro passo é pegar nos paus de esteva e fazer deles trancas e sovinos. Para quem não sabe os sovinos são os "pregos" do cortiço que unem a tampa ao canudo. Para isto vamos precisar de uma navalha para cortar e aparar os paus de esteva. Para as pranchas de cortiça precisamos também da navalha e de um serrote!




Depois de feitas as trancas estas devem ser colocadas como mostra a figura em cima e à esquerda. Agora que a tampa também já está feita é altura de pregar os sovinos! Vamos usar o martelo...


Depois de pregados os sovinos faltam pequenos pormenores como a entrada para as abelhas. Para isso basta fazer uns furos na parte inferior do cortiço mas eu gosto de fazer uma coisa mais bonita à vista...













Et voilá! Temos agora mais dois cortiços novinhos e prontos para encher de abelhas. Vou colocá-los a povoar perto dos meus apiários na esperança de apanhar algum enxame dos vizinhos ou algum meu que saia sem eu dar conta...

Desdobramentos multi-colmeia parte 2...

Ontem não consegui alojar este vídeo que foi realizado durante o desdobramento mas hoje aqui fica!
Espero que gostem!


video

sexta-feira, 20 de Março de 2009

Desdobramentos multi-colmeia...

Ainda esta tarde estive a tomar café com o meu amigo J. Pífano e lhe tinha dito que tinha umas colmeias a precisar de ser desdobradas mas que não o ia fazer devido às ameaças de mau tempo... Mas depois o meu irmão chegou de Lisboa e estivemos a conversar sobre as colmeias e realmente decidimos avançar com o desdobramento multi-colmeia.

Mas o que é isto de desdobramento multi-colmeia? É um desdobramento feito a partir de 2 ou mais colmeias ao mesmo tempo. Seleccionam-se 1 a 2 quadros com criação de cada colmeia a desdobrar e juntam-se todos no mesmo núcleo. As abelhas órfãs não brigam entre si e aceitam quadros com abelhas de outras colmeias. Esta técnica aprendi-a com um conterrâneo meu já de idade o Sr. João Carvalho mais conhecido como "Lacrau" que apesar de não ter nenhum curso de apicultura percebe muito mais ele de olhos fechados que eu de olhos abertos. Eu uso esta técnica para os desdobramentos porque não enfraquece muito as colmeias e consigo fazer desdobramentos logo no inicio do desenvolvimento primaveril. Por exemplo, os desdobramentos que fiz à um mês atrás foram com esta técnica e neste momento já tenho uma rainha a por ovos e a outra para lá caminha (já visualizei a rainha).

Então o que precisamos para fazer este tipo de desdobramentos? Um núcleo com quadros de cera moldada (eu uso os de 6 quadros) e as colmeias para desdobrar!










De referir que nesta operação podemos aproveitar para retirar os quadros mais escuros para os desdobramentos a fim de renovar as ceras do ninho das colmeias a desdobrar. Temos também que ter a certeza que a rainha não vai nos quadros que retiramos. Posto esta pequena introdução vamos à prática!

Nas fotos em baixo estou a proceder à selecção dos quadros a usar no desdobramento. Estes devem conter muita criação já operculada e também ovos. As larvas com mais de 3 dias não são aconselháveis para a produção de rainhas pelo que eu costumo marcar um quadro que tenha ovos e passados 7 dias destruo todos os alvéolos reais excepto os que estão no quadro marcado. O que não pode faltar é pelo menos um quadro com reservas, ou seja, mel e pólen. Apesar de estarmos na primavera o que não falta é néctar e pólen mas nunca se sabe as reviravoltas que a meteorologia pode dar e elas podem ter que "atacar" as reservas...


Depois de feito o desdobramento o núcleo deve ser levado para outro apiário a mais de 1,5km para evitar o retorno das abelhas às colmeias mãe. Para aumentar as hipóteses de sucesso devemos também dar um pouco de alimentação estimulante ao núcleo recém-formado. Por hoje ficou tudo feito, mas o ano promete tal como este por do sol que o meu irmão conseguiu captar hoje e que ilustra bem a beleza da paisagem Norte Alentejana.

quarta-feira, 18 de Março de 2009

Flora apícola - capítulo 2

Para quem tenha apiários perto de hortas ou explorações agrícolas existem várias plantas que dão o seu contributo nesta altura do ano... São elas o pessegueiro, a pereira, a flor das couves galegas, os morangueiros, as favas, as macieiras, as laranjeiras entre outras que ainda estão para vir. Todas elas são bastante importantes mas variam bastante quanto à produção de néctar e de pólen entre si.

O pessegueiro é procurado pelas abelhas pelo seu néctar. É uma árvore de fruto que produz pouco pólen mas algum néctar...

De entre todas as plantas enunciadas atrás, as pereiras são as menos procuradas pelas abelhas. Apesar de produzirem pólen e néctar qb as suas flores não são muito atractivas para as abelhas.

Quanto às couves galegas não tenho muita informação acerca da produção de pólen e néctar mas o que é certo é que quando o "caldo verde" está em flor elas não as largam!

Os morangueiros também são procurados pelas abelhas e pelo que me parece fornecem-lhes agum néctar e pólen. Dizem os entendidos na matéria que se um morango não for bem polinizado o fruto final sai deformado...

Quem não gosta de umas favas com chouriço? Pois é as abelhas também procuram a flor da fava. As favas juntamente com os feijões produzem algum néctar variando a quantidade com a espécie.

As macieiras são árvores de fruto muito procuradas pelas abelhas quando existem nas imediações dos apiários. Produzindo pouco néctar as abelhas procuram esta árvore pelo seu pólen, que existe em abundância!

Por fim as laranjeiras são um autêntico oásis para as abelhas. Uma laranjeira em flor tem abelhas em seu redor de sol a sol. A laranjeira produz muito néctar e bastante pólen, sendo possível obter um mel monofloral muito saboroso a partir desta flor.
Dado que estas plantas são todas cultivadas em larga escala, os apicultores podem colocar à disposição os seus serviços através da celebração de contractos de polinização. Surge assim mais uma vertente da apicultura que, constitui uma oportunidade económica que só agora começa a ser falada em Portugal, quando nos outros países da União Europeia à muito que os apicultores fazem este tipo de serviço remunerado...

quarta-feira, 11 de Março de 2009

Ai temos a Primavera!













Parece que a Primavera decidiu vir mais cedo e a azáfama já se nota nas colmeias! Mas o ano apícola também não começa a 1 de janeiro pelo que primavera também pode vir mais cedo...


Este tempo quente está a fazer adiantar o rosmaninho e as estevas e eu já vi umas cabeças de rosmaninho a querer despontar!
Só espero que chova mais um pouco senão a época não vai ser muito boa. Vamos ver o que o Sº Pedro nos manda e se consigo repetir os bons resultados do ano passado como mostra a foto a seguir...

sábado, 7 de Março de 2009

Preocupações de um Apicultor...

Faz hoje 15 dias que andei a ver as minhas colmeias e encontrei 2 a substituir a rainha. Pelas minhas contas já devem ter nascido as novas rainhas e já devem estar em idade de serem fecundadas mas com o tempo que tem ido tenho receio de que não possam sair da colmeia ou perderem-se com alguma rajada de vento... Vamos ver no que vai dar quando o tempo melhorar!

Assim sendo aproveito para falar um pouco sobre as rainhas.

Os enxames funcionam por castas, isto é, dentro da mesma espécie existem diferentes tipos de indivíduos com funções específicas. Assim sendo temos milhares de obreiras, centenas de zangãos e apenas uma abelha rainha que é responsável pelo desenvolvimento/crescimento da colónia.No centro da imagem está uma rainha que se diferencia das restantes abelhas pelo seu abdómen mais desenvolvido e pela coloração mais escura no tórax. Podem viver até aos 6-7 anos mas o seu tempo médio de vida útil para o apicultor fica-se pelos 2-3 anos.
A rainha tem como funções por ovos e produzir feromonas. Os ovos são fecundados no caso das rainhas e obreiras e não fecundados no caso dos zangãos. Quanto às feromonas estas são indispensáveis na coesão/organização do enxame pois impedem que as obreiras desenvolvam os seus ovários e comecem a por ovos não fecundados. Quando a rainha perde a sua capacidade de produzir feromonas as próprias abelhas do enxame criam uma nova rainha para substituir a velha.

Uma boa rainha pode por até 2-3 mil ovos por dia. Ao passo que as obreiras e os zangãos são criados em alvéolos na horizontal, as rainhas são criadas em alvéolos verticais, maiores que os outros e por isso fáceis de identificar.

Na figura pode ver-se 3 alvéolos reais, dois deles com cortes transversais mostrando dois estádios do desenvolvimento da rainha.
Existem várias razões para um enxame criar uma nova rainha. São elas:

1-Enxameação: quando as abelhas seguem o seu instinto de proliferação da espécie são produzidas muitas rainhas novas e antes de nascerem a rainha velha abandona a colmeia juntamente com metade da população, geralmente os alvéolos encontram-se nos bordos dos favos tal como se vê na figura em baixo;2-Substituição da rainha: quando a rainha é velha ou incapaz de produzir feromona suficiente para o enxame as abelhas criam uma nova rainha, geralmente em número reduzido (1 a 2 alvéolos reais) e os alvéolos encontram-se no meio dos quadros;

3-Emergência: quando por qualquer motivo a rainha morre ou desaparece e não existem alvéolos reias em desenvolvimento, as abelhas usam larvas de obreira com 1-2 dias para criar a nova rainha, geralmente criam várias ao mesmo tempo e os alvéolos não costumam ser muito grandes e encontram-se no meio do quadro como mostra a figura;


Nota: Muitas vezes a criação de rainhas de emergência é um método utilizado nos desdobramentos, método que também eu uso.

Ciclo vital da abelha rainha

Tanto obreiras como as rainhas têm origem no mesmo ovo, contudo o tratamento dado pelas obreiras e o tipo de alvéolo é o que as distingue ao longo do seu desenvolvimento.

O quadro em cima mostra-nos o tempo necessário para criar uma rainha e iniciar a sua postura.
O desenvolvimento é mais rápido que o das obreiras porque a rainha nasce do 15º ao 17º dia enquanto que as obreiras só nascem a partir do 21º dia. Também existe diferença na alimentação durante a fase larvar porque as obreiras começam a receber alimento feito com pólen e mel a partir do 3º dia depois da eclosão do ovo, ao passo que a rainha, alimenta-se única e exclusivamente de geleia real desde que eclode o ovo até morrer.

Se houver mais do que um alvéolo real na colmeia, a primeira rainha a nascer destrói todos os alvéolos restantes, ou no caso de ter nascido alguma rainha em simultâneo, lutam até que uma delas morra. É ainda possível que uma rainha virgem dê origem a um enxame secundário ou também chamado de garfa, em alturas de grande fluxo de néctar.

Para a rainha ser fecundada ela tem que amadurecer sexualmente (o que acontece 5 dias depois de nascer) e tem de realizar o chamado voo nupcial. Esta é a única altura na vida da rainha que sai da colmeia, sem contar, claro, com a enxameação. Quando sai da colmeia a rainha procura um local onde abundem zangãos e acasala com 1 ou mais zangãos até encher a sua espermateca (bolsa intra-abdominal onde guarda o esperma dos zangãos com que acasalou). Este processo pode prolongar-se por 3 ou mais dias porque depende da capacidade da espermateca da rainha e das condições meteorológicas. Após a sua fecundação a rainha demora mais 3 dias até que inicie a sua postura, o que feitas as contas, e se tudo correr bem, ocorre ao 27º/28º dia de vida da rainha. Assim para os assegurar-mos que tudo correu bem, aos 30 dias de vida da rainha devemos inspeccionar a colmeia para avaliar a sua postura.

Este é o processo normal de criação de uma rainha sem itervenção nossa, mas existem vários métodos para nós criar-mos rainhas em grandes números tendo em vista as nossas necessidades e sem esperar pelas abelhas. Mas isso fica para outras núpcias... Ficam aqui umas fotos da net para aguçar o apetite...

segunda-feira, 2 de Março de 2009

Condições meteorológicas


Pois é... Tal como eu o mau tempo não dava sinais à já alguns dias...

Assim sendo aproveito a deixa para fazer algumas considerações sobre as condições meteorológicas e a sua influência no maneio apícola.

Para que nós tenhamos condições mínimas para abrir uma colmeia e andar a mexer nela temos que ter em conta os seguintes factores meteorológicos: temperatura ambiente, vento e precipitação.

Devo dizer que todos estes factores são de extrema importância para um bom maneio apícola.

Temperatura Ambiente

Sabendo que no interior de uma colmeia a temperatura ronda os 35ºc no ninho é fácil imaginar porque é que este factor é importante. Ao abrir-mos uma colmeia e inspeccionar-mos os quadros estamos a promover o arrefecimento da mesma e possivelmente provocar a morte da criação por frio se o maneio não for rápido. Assim a temperatura ambiente deve ser sempre superior a 20ºc ou em casos de extrema necessidade não ser mais baixa que 15ºc. Contudo também existe o reverso da medalha... Uma temperatura ambiente muito elevada (por exemplo os 40ºc que se fazem sentir durante o verão no alentejo...) também provoca os seus danos... Faz diminuir a humidade no interior da colmeia e pode provocar o derretimento de ceras (que ocorre a partir do 40 a 45ºc).
Uma diminuição da temperatura na colmeia significa uma maior esforço energético para as abelhas (produção de calor através do consumo de mel) e consequente consumo de reservas ao passo que um aumento da temperatura implica uma maior mobilização de abelhas para a ventilação da colmeia, abelhas estas que podiam estar a recolher néctar e pólen para alimentar o enxame.

Nota: em dias muito frios e muito quentes as abelha tornam-se mais agressivas e não toleram tanto a nossa presença.

Vento

O vento é um factor que temos que ter em conta porque este tem a capacidade de fazer diminuir a temperatura ambiente consoante a sua intensidade. Deve ser evitado ao máximo o maneio apícola em dias de vento. Aliás, os próprios apiários devem estar situados em locais que estejam resguardados dos ventos predominantes da zona onde estão inseridos.

Precipitação

Ninguém gosta de trabalhar à chuva e as abelhas então muito menos. Mas não vale a pena falar muito da precipitação. Chamo apenas à atenção que as abelhas ficam mais irritadiças e agressivas em dias de trovoada.

Em jeito de nota final devemos então estar atentos às condições meteorológicas se quiser-mos prestar um bom e oportuno maneio apícola. Para tal basta ir-mos consultando os boletins meteorológicos regularmente. Fica aqui um nacional: Meteorologia.




terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Cortiços: Herança apícola ou Apicultura Tradicional?

O meu amigo e colega Apicultor, o Eng. Pífano, no seu blogue Monte do mel dedicou um pouco do seu tempo a falar de cortiços, explicando a forma como são construídos, os materiais de que é feito, a forma como é povoado com abelhas e até mesmo como se combatiam algumas doenças das abelhas.

Eu hoje decidi partilhar convosco algumas fotos de um cortiço tradicional alentejano que possuo há já dois anos, povoado com abelhas. Tenciono com isto mostrar mais um pouco do maravilhoso mundo das abelhas e dar a conhecer uma face da apicultura tradicional que me deixa uma dúvida...

Serão os cortiços memórias de um passado recente ou farão parte de um tipo de apicultura dito tradicional?

Mas passemos ao cortiço antes de mais considerações!


Na foto em cima podemos ver um cortiço de cortiça. O típico cortiço Alentejano, outrora existente aos milhares e hoje em dia uma visão rara mas não muito difícil de encontrar. Aliás, até à bem pouco tempo, perto de um dos meus apiários existia um apiário constituído apenas por cortiços mas quando fui lá para tirar uma foto para enriquecer um pouco mais esta mensagem apenas me deparei com um lugar vazio ostentando as marcas evidentes de actividade apícola...

Tal como já foi explicado no blogue do Mestre Pífano o cortiço possui uma tampa de cortiça, plana, pregada com as "sovinas" e no seu interior duas trancas, feitas de esteva, para segurar os favos, estando indicadas na foto a sua localização, em altura. Geralmente a primeira tranca serve para localizar no cortiço até onde se pode fazer a cresta, ou seja, marcar até onde podemos tirar mel ao cortiço, servindo a segunda para segurar os favos com a criação e reservas para o inverno.


Na foto em cima podemos observar o interior do cortiço, onde o enxame ocupa a totalidade do cortiço até à 2ª tranca. Esta foto foi tirada no dia 22-02-09 e verifica-se já um grande desenvolvimento primaveril evidenciado pela população de abelhas que ocupam os favos. Talvez lá para o fim de Março ou início de Abril já se consiga fazer um desdobramento deste cortiço!

A apicultura com cortiços foi uma das marcas da apicultura portuguesa até tempos recentes, tendo caído em desuso devido às colmeias móveis, muito mais produtivas e mais fáceis de manusear. Hoje em dia o seu uso está fortemente relacionado com a captura de enxames selvagens quando são colocados a "povoar" nas imediações dos apiários. Os cortiços que ainda sobrevivem actualmente, povoados com abelhas, também são usados para realizar desdobramentos uma vez que são caracterizados por produzirem enxames "temprões".

Os mais idosos ainda recordam com saudades o mel dos cortiços, espremido directamente dos favos cujo aroma e sabor era muito característico e único. A cresta era realizada uma única vez durante o ano pela altura do Sº João e a ferramenta utilizada era a crestadeira, nada mais do que uma faca adaptada, como a que vou mostrar a seguir.


Esta crestadeira chegou até mim na forma de herança do meu avô paterno (que Deus o tenha com ele) e que guardo religiosamente para não deixar morrer mais uma tradição do nosso Portugal.

Esta é uma das faces da apicultura portuguesa que eu gosto de recordar e reviver e lanço aqui uma pergunta para quem quiser responder: Estão os cortiços condenados à extinção ou têm lugar lado a lado com as colmeias móveis?

segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Flora apícola - capítulo 1

Um apicultor nunca é só um apicultor... Passa também um pouco por botânico e por biólogo. Quantas vezes não nos depara-mos (nós o apicultores) a olhar em redor e a identificar as plantas que estão a florir? Ou até mesmo os animais e insectos que vivem em redor dos nossos apiários?

Pois é. Eu faço isso frequentemente para fazer um calendário de floração da zona envolvente aos apiários para poder com alguma antecedência prever quais as plantas que vão florir e assim determinar a sua importância para as colmeias. É claro que esta informação não é 100% fiável uma vez que um ano nunca é igual a outro ano e o clima influencia muito as florações.

Assim sendo vou destacar a flora de interesse apícola que neste momento está a florir pelas terras de Ponte de Sôr.

Começo pelos Tojos (nome científico: Ulex europaeus). Estão a florir desde Dezembro e ainda se mantém. São muito procurados pelas abelhas para a recolha de pólen, sendo a sua produção de néctar fraca. São caracterizados pelas flores amarelas e podem crescer até 2m de altura.

Em seguida temos a Urze Branca (nome científico: Erica arborea) que embora boa productora de néctar e poco pólen não tem muito significado apícola dada a sua escassez por estas bandas. Mas ainda se encontra em quantidades consideráveis nalguns brejos menos acessiveis ao Homem.
Outra planta de muita importância no desenvolvimento primaveril é o salgueiro (nome científico: Salix atrocinerea). Esta árvore muito abundante junto de regatos, ribeiros e da ribeira do Sôr é produtora de muito néctar e pólen. Uma vez que floresce no meio-fim do Inverno é uma planta muito útil para as abelhas. Contudo não se consegue obter mel monofloral de salgueiro porque todo o néctar e pólen recolhido desta árvore é utilizado na alimentação da colmeia que se está a desenvolver a um ritmo exponencial nesta altura do ano.

Mais uma planta que floresce nesta altura do ano é o alecrim (nome científico: Rosmarinus officinalis) . Esta planta pouco produtora de pólen, produz néctar em grandes quantidades. Pena que não seja muito abundante perto dos meus apiários, mas na margem esquerda da ribeira do Sôr existe em abundância.


Passo agora a apresentar duas plantas invasoras em Portugal que também são relevantes para os apicultores: as salinas (nome científico: Hakea sericea) e as acácias (nome científico: Acacia dealbata). As salinas produzem muito néctar, possuem uma flor branca e são muito procuradas pelas abelha. Já as acácias produzem pouco néctar mas produzem muito pólen sendo moderadamente porcuradas pelas abelhas dada a existência de outras plantas que florescem ao mesmo tempo e produzem muito pólen.

(na foto uma abelha na flor das salinas)


(na foto uma acácia com cerca de 4-5 metros completamente florida)

sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Inicio do ano apícola!


Dependendo de cada região, o ano apícola começa quando as colmeias começam o seu grande desenvolvimento para a Primavera e consequente recolha de néctar e pólen em grandes quantidades.

No meu caso o ano apícola está a começar. Os salgueiros estão a florir, as acácias também e os tojos há muito que estão floridos. Temos também que juntar o alecrim à festa e que elas tanto adoram! Os eucaliptos este ano não foram generosos mas deram para as colmeias se manterem sem grande problemas.

E para começar bem nada melhor que uma revisão geral às colmeias para determinar o seu estado e necessidade de alimentação estimulante. Aproveita-se também para limpar os estrados das colmeias e remover ceras velhas que já não tenham utilidade na colmeia.

Comecemos pela preparação do material!

Então que material precisamos?
1-Fato de apicultor;
2-Quadros com cera moldada;
3-Ferramenta para limpar os estrados (formão);
4-Levantador de quadros;
5-Fumigador.

Temos tudo! Só falta preparar os quadros: coloca-se as folhas de cera moldada nos quadros e depois solda-se aos arames. Eu uso um pequeno utensílio eléctrico que solda a cera.

Nada melhor que uma foto para exemplificar:

(na foto o aparelho de soldar cera e um quadro com a folha já soldada)

Mas para que servem as folhas de cera moldada? Servem para facilitar o puxar das ceras pelas abelhas, que com a folha de cera só precisam de produzir cera para formar os alvéolos para o lado, ou seja, nós damos a base e elas constroem o resto! Em termos apícolas isto é uma coisa muito importante porque estamos a poupar trabalho às abelhas, evitando gastos energéticos por parte dlas uma vez que para produzirem 1kg de cera elas consomem 7kg de mel... Ganham elas e ganha-mos nós!

Mas eu que tenho a mania de ser diferente dos outros... só uso uma pequena tira em vez da folha inteira. Apesar de ser um esforço acrescido para as abelhas pode vir a ter benefícios muito maiores no futuro. Explicarei melhor numa outra mensagem o porquê disto!

Mas continuando... Lá carreguei o material todo no carro e para prevenir enfiei lá dois núcleos não fosse ter surpresas agradáveis...

Chegado ao apiário comecei por limpar os estrados! É uma operação anual de extrema importância porque nos estrados acumulam-se vários detritos e excrementos de abelha que podem ser foco de doença no futuro, como é o caso da micose das colmeias (é minha intenção dedicar uma série de mensagens às várias doenças que afectam as abelhas).

(estrado sujo)

(estrado depois de limpo com a ferramenta utilizada em cima)

Em cima podem ver o estrado da colmeia antes de ser limpo. Como podem ver os detritos são mais que muitos! É tempo de os limpar! E elas ficam todas agradecidas.

Agora vem a parte melhor!!!!

Vamos ver as colmeias por dentro e fazer uma pequena revisão.


Abrem-se as colmeias, dá-se um pouco de fumo e venham elas!


É altura de observar as reservas, a população da colmeia, a postura da rainha e a presença de doenças.


(colmeia aberta vista de cima)

Fiquei muito satisfeito quando cheguei à última colmeia do apiário e constatei que todas excepto uma estavam muito fortes!

Com muita população, muitas reservas de mel e pólen, um óptima postura das rainhas descrevendo elipses perfeitas e sem sinais de doenças!
(quadro do ninho com criação, reparem nas elipses, sinal de excelente postura da rainha)

Fiquei tão satisfeito que aproveitei e fiz dois desdobramentos logo na hora! Ainda bem que levei os núcleos! Parecia que estava a adivinhar... Talvez seja um pouco cedo mas o tempo já está a aquecer e já existem zangãos nas colmeias. Se tudo correr bem ainda me dão mel esta primavera! Mas como fazer desdobramentos? A explicação num capítulo futuro!

(os dois desdobramentos realizados no seu novo apiário)

quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

A propósito de marcação de Rainhas...

Hoje fui dar uma vista de olhos pelas minhas abelhas e não resisti a experimentar marcar pela primeira vez uma rainha!

É verdade! Desde que tenho abelhas que nunca tinha marcado uma rainha fosse de que maneira fosse. Não admira às vezes as horas perdidas à procura delas para realizar desdobras ou mesmo só para as eliminar.

Mas como é que a marquei? Directamente no quadro sem necessidade de a agarrar ou aprisionar numa gaiola de rainhas. O truque? É fácil basta uma caneta de tinta de água inodora como esta que passo a mostrar:

Com esta caneta é possível marcar as rainhas sem as aprisionar e correr o risco de as mutilar-mos ou mesmo de provocar a sua inutilização ao pressionar-mos o abdómen.

Mas o que há a reter de marcação de rainhas????

1-Obedece a um código de cores internacional que determina os anos em que são criadas, em ciclos de 5 anos ou seja de 5 em 5 anos a cor é a mesma. Assim temos o Azul (anos acabados em 0 e 5 ex:2005 e 2010), o Branco (anos acabados em 1 e 6 ex:2006 e 2011), o Amarelo (anos acabados em 2 e 7 ex:2007 e 2012), o Vermelho (anos acabados em 3 e 8 ex:2008 e 2013) e o Verde (anos acabados em 4 e 9 ex:2004 e 2009).

2-É feito na parte superior do tórax da rainha (entre a cabeça e as asas).

Para que serve a marcação de rainhas?

Essencialmente serve para ajudar a localizar melhor a rainha numa colmeia e determinar a sua idade através do código de cores.

Existem outros sistemas de marcação de rainhas que eu não vou falar mas que são do seu uso para grandes criadores de rainhas.


E para terminar aqui deixo uma foto do meu sucesso!






terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Apresentação

Ora aqui estou e editar a minha primeira mensagem no meu primeiro blogue!

Nunca me imaginei nestas aventuras cibernáuticas mas o gosto pela apicultura levou-me a isto!

Num momento em que é urgente fazer-mos algo pela apicultura nacional quero dar o meu contributo com este blog em que espero suscitar o interesse, pela apicultura, a quem o visite!

Mas antes de mais vou-me apresentar!

O meu nome é Hugo Martins e actualmente resido em Ponte de Sor mas trabalho em Lisboa pelo que as abelhas são o passatempo dos fins-de-semana... Tenho 24 anos e a minha paixão pela apicultura já começou à pelo menos 6 anos quando um amigo meu me levou a ver as suas colmeias. Foi ai que decidi ter as minhas próprias colmeias e que tudo começou!


(vista parcial de um dos meus apiários no fim da primavera de 2008)