Após praticamente um mês sem ter um único momento para descansar, finalmente tenho o merecido descanso do guerreiro e posso dedicar um tempinho extra a este blogue que não tenciono abandonar.
Entre aventuras e desaventuras na vida profissional, fiquei a saber pelo meu irmão que uma das minhas colmeias estava bastante atacada por varroose, e mesmo depois de aplicado o tratamento de emergência, dificilmente resistirá. Por isso vou dedicar este post para tentar explicar o que é a varroose e como a detectar para podermos minimizar os seus efeitos nas abelhas, uma vez que de acordo com o actual conhecimento humano esta ainda é uma praga que assola as abelhas impossível de erradicar... Por isso há que aprender a viver com ela!
Mas o que é a Varroose?A varroose é uma doença causada por um parasita, mais precisamente um ácaro cujo nome científico é
Varroa destructor (antes era designada por
Varroa jacobsoni). Este ácaro alimenta-se da hemolinfa ("sangue") das abelhas e reproduz-se juntamente com a criação das abelhas causando enormes prejuízos para a colónia quando existem em grandes números.
(foto de uma varroa, o que as distingue de um vulgar piolho das abelhas é o número de pares de patas, enquanto que os piolhos têm 3 pares de patas, as varroas possuem 4)
Esta parasitose é originária da Ásia onde existe uma espécie de abelhas (
Apis cerana) perfeitamente adaptada a ela e cujo impato na vida da colónia é quase nulo. As nossas abelhas nunca tiveram contacto com esta doença, por isso não adquiriram comportamentos que lhes conferissem a capacidade de sobreviver, pelo que quando esta doença começou a afectá-las a mortalidade era quase de 100%...
Provavelmente o primeiro contacto desta doença com as nossas abelhas ocorreu nas Filipinas no início da década de 60 do século passado, com o importação de abelhas europeias. Posteriormente estas abelhas já infectadas com a doença foram comercializadas tendo rapidamente chegado à europa oriental entre os anos 60 e 70. Como as abelhas não possuiam comportamentos de defesa para esta parasitose, facilmente se disseminou pela Europa tendo chegado a Portugal pelo ano de 1986. Desde então tem sido uma luta constante, com avanços e recuos, para tentar controlar esta praga.
Como é que a Varroa se reproduz?As varroas adultas parasitam as abelhas adultas, mas para se reproduzir utilizam as larvas, entrando nos alvéolos quando estão a ser operculados. A partir daí elas alimentam-se da hemolinfa das larvas e iniciam a sua postura. Consequentemente as larvas afectadas não irão ter um desenvolvimento normal pelo que é frequente que nasçam com as asas, patas e abdómen atrofiados morrendo pouco depois de nascerem. As que não morrem são eliminadas pelas abelhas adultas...
O que acontece na
Apis cerana é que as varroas só procuram os alvéolos de zangão para se reproduzir, enquanto que nas abelhas europeias utilizam também as larvas de obreira, conferindo assim um maior grau de infestação à colónia e consequente morte.

Esta figura ilustra bem o ciclo de vida da varroa. Começa por parasitar as abelhas adultas, transferindo-se depois para a criação operculada. Aí as fêmeas iniciam a sua postura após 60h do fecho do alvéolo, pondo um ovo de 30 em 30h. Após a eclosão dos ovos as larvas da varroa começam a alimentar-se também da hemolinfa da pupa até ao seu desenvolvimento completo. Ainda antes de sairem do alvéolo juntamente com a abelha adulta, as fêmeas acasalam com os machos resultantes da postura, ficando os machos e as fêmeas imaturas dentro do alvéolo, morrendo pouco depois da abelha adulta sair do alvéolo. Findo este ciclo as varroas que saem do alvéolo vão "agarrar-se" à abelha mais próxima e acompanham-na no que ela fizer, só a largando para iniciar uma nova postura noutro alvéolo contendo uma larva de abelha.


(nas fotos: à esquerda uma varroa sugando a hemolinfa de uma larva, ao centro uma varroa a sair de um alvéolo juntamente com a abelha, à direita uma abelha que foi parasitada por uma varroa durante a sua metamorfose)
Como se propaga a Varroose?As varroas adultas não se conseguem deslocar de uma colónia para outra sem ajuda por isso usam as abelhas adultas para se deslocarem. Assim os fenómenos de pilhagem, enxameação, deriva e livre trânsito de zangãos contribuem para disseminar esta doença. Principalmente em áreas densamente povoadas de abelhas como a região onde vivo a pilhagem e a enxameação são as duas principais causas de disseminação. Isto conjuntamente com más práticas de maneio apícola por parte dos meus vizinhos apicultores fazem com que esteja sempre em alerta máximo para prevenir males maiores, uma vez que a reinfestação é quase certa após os tratamentos...
(na foto: abelha em pleno vôo carregando uma varroa)
Como se manifesta esta doença?Em colónias bem povoadas e com um reduzido número de ácaros esta praga não existe nenhum efeito visível mas quando a infestação atinge números elevados de ácaros os efeitos são visíveis tanto na população adulta como na criação, culminando no colapso da colónia.
Os efeitos sobre as abelhas são: diminuição do tempo de vida, diminu

ição do peso, deformidades nas asas, patas e abdómen e ainda diminuição da capacidade de resistência a outras doenças como micoses e viroses (este aspecto é bastante importante porque existem vírus que em condições normais não são significativos para as colónias mas em sobreposição com a varroose podem exponenciar os estragos nas colónias).
Geralmente esta doença manifesta-se mais em períodos de pouca criação nas colónias, ou seja, a partir do verão. Isto porquê? Porque durante a primavera existe muita criação e a colónia consegue assegurar a substituição das abelhas adultas o que lhes permite sobreviver, contudo os acáros vão sempre aumentando de número até chegar ao ponto em que a colónia não consegue assegurar a substituição das abelhas adultas devido aos efeitos que a infestação de ácaros tem na criação, o que regra geral acontece nos períodos de baixo fluxo de néctar. Nesta fase o declínio da colónia até à morte é bastante rápido, podendo acontecer entre 2 a 4 semanas e os sinais de morte eminente da colónia são:
-um decréscimo muito acentuado na população de abelhas adultas;
-uma relação muito pequena entre o número de abelhas e a área ocupada pela criação (geralmente as abelhas são insuficientes para cobrir a área da criação);
-muitas abelhas com asas e/ou patas e/ou abdómen deformados;
-presença de muitas varroas nas abelhas sobreviventes e nos alvéolos de criação;
-muitas anomalias na criação como pupas desoperculadas, criação salpicada, larvas mortas nos alvéolos não tendo sido retiradas pelas abelhas, etc...
Quando se observam estes sintomas, em regra geral nada se pode fazer para salvar a colónia, mesmo utilizando tratamentos muito eficazes no combate à varroa.


(nas fotos: à esquerda quadro de criação típico de uma colónia infestada por varroas com morte eminente; à direita foto de uma abelha deformada e parasitada por varroas)
Como detectar a doença antes de causar danos irreversíveis?Existem alguns métodos que permitem verificar o grau de infestação, por varroose, de uma colónia permitindo assim uma intervenção a tempo de impedir consequências graves para a colónia e obviamente para o apicultor. É óbvio que os métodos que vou indicar a seguir requerem algum esforço e tempo por parte do apicultor, mas escolher entre isso ou perder algumas colónias senão quase todas eu prefiro a primeira opção!
Primeiro método: uso de um acaricida eficaz na procura de varroasPara este método precisamos de um estrado especial, que permita recolher as varroas que morrem dentro da colmeia sem que as abelhas as removam, e de um acaricida eficaz. O estrado é colocado na colónia no dia antes, substituindo o antigo. No dia a seguir é colocado o acaricida seguindo as indicações do laboratório que o produz.
(na foto: colocação do acaricida na colmeia)
(na foto: estrado anti-varroa)
Deve-se esperar 24h para contar as varroas que tiverem morrido ou caido naturalmente para o estrado. Se caírem mais de 50 (no início da primavera), ou mais de 250 (no início do verão) as colónias devem ser tratadas, podendo neste caso o acaricida ser mantido durante o tempo que deve durar o tratamento. Se não houver necessidade de realizar o tratamento o acaricida deve ser retirado.
Este método permite uma boa monitorização do grau de infestação mesmo quando existem poucas varroas, ao passo que o acaricida pode ser mantido como tratamento. A única desvantagem é que o uso por 24h de um acaricida pode fomentar o aparecimento de resitências aos princípios activos dos tratamentos.
Segundo método: controle do nível de infestação na criação operculadaPara este método precisamos de um quadro com criação operculada, uma faca de serrilha, um crivo com malha de 5mm e outro de malha de 0.5mm. Precisamos também de água.
Neste método selecciona-se um quadro com criação operculada e sacodem-se todas as abelhas para o interior da colmeia. Em seguida com a faca corta-se um recângulo de favo com criação com pelo menos 30 cm quadrados de área. Já fora do apiário calcula-se correctamente a área do favo e multiplica-se por 4.2 (no caso de criação de obreira) ou por 2.9 (no caso de criação de zangão) de modo a obtermos o número total de alvéolos operculados. Em seguida desopercula-se os alvéolos e coloca-se tudo no crivo de 5mm com o de 0.5mm por baixo. Lava-se todo o favo com a ajuda de um chuveiro até que saia toda a criação dos alvéolos. Deixa-se escorrer e em seguida contam-se as varroas que ficaram retidas no crivo de 0.5mm. O grau de infestação em % será igual ao (nº de varroas x 100)/ nº de opérculos da amostra.
Valores superiores a 15% no caso de criação de obreira, ou de 30% no caso de criação de zangão, são motivo para realizar um tratamento imediato.
Este método tem a vantagem de nos dar um grau aproximado da infestação avaliando assim a necessidade de as tratar a curto/médio prazo. É relativamente fácil de executar durante rotinas do apiário e não tem impacto significativo para a colónia desde que não seja praticado mais de 6 vezes ao ano. Contudo este método não é muito viável para níveis baixos de infestação e necessita de ser aplicado num quarto das colónias do apiário para os valores obtidos serem fiáveis.
(na foto: colheita de favo para detecção de varroas na criação)
Terceiro método: Procura de varroas na população adultaNeste método precisamos de um frasco, água com sabão, 2 crivos sendo um com malha de 5mm e outro com malha de 0.5mm e de abelhas adultas.
Secciona-se a colmeia e de um quadro colhem-se 100 a 200 abelhas adultas que são colocadas dentro de um frasco, sendo este fechado de seguida e só será aberto quando todas as abelhas estiverem mortas. Em seguida enche-se o frasco com água e sabão e mexe-se durante um minuto, vertendo-se em seguida o conteúdo para os dois crivos (um em cima do outro ficando o de 0.5mm de malha por baixo). Certificamo-nos que não ficam varroas no frasco (se ficarem contam-se as que ficam) e lava-se as abelhas que estiverem no crivo com a ajuda de um chuveiro pelo menos durante 1 minuto. Em seguida contam-se as varroas que ficaram no crivo de baixo e caso se detecte alguma contam-se também todas as abelhas da amostra. O grau de infestação em % será igual a (nº de varroas x 100)/ nº de abelhas da amostra. Se o grau de infestação for igual ou superior a 3% deve ser aplicado um tratamento eficaz em todo o apiário.
(na figura: esquema com etapas do terceiro método mencionado em cima)Este método é fácil de executar e fornece alguma informação sbre o grau de infestação da colónia mas para ser fiável deve ser realizado em pelo menos um quarto das colónias do apiário. Contudo esta técnica não nos dá informação sobre níveis baixos/médios de infestação pelo que apenas ajuda na decisão de tratar ou não tratar a colónia...
Quarto método: Inspecção da criação de zangãosCom este método determina-se o grau de infestação na criação de zangãos. É de fácil execução e permite uma indicação instantânea do grau de infestação. Contudo não é eficaz para baixos níves de infestação...
Passando ao método: selecciona-se um quadro com criação de zangão e com a ajuda de um garfo desoperculador espetam-se e retiram-se as pupas de zangão. Faz-se isto para pelo menos 100 alvéolos de zangão e contam-se as pupas infectadas com varroa. 5% de pupas infectadas revelam uma infestação leve mas acima de 30% já existe uma grave infestação que requer tratamento urgente!
(na foto: procurando varroas na criação de zangão)
Quinto método: Monitorização da morte natural das varroasEste método é o menos perturbador para as abelhas e permite detectar a presença de relativamente poucas varroas na colónia mantendo os estrados de recolha de varroas que são utilizados no primeiro método. Controlam-se quinzenalmente os estrados, contando as varroas mortas lá presentes e dividindo pelo número de dias desde a última contagem. Isto viairevelar uma taxa diária de morte de varroas o que nos pode ajudar a ter uma noção da quantidade de varroas na colónia. Frequentemente, colónias que não são (eficazmente) tratadas morrem antes do fim da próxima época de produção (Agosto/Setembro) se a queda diária de varroas exceder os seguintes valores: Outubro/Novembro: 3 varroas; Dezembro /Janeiro:10 varroas; Fevereiro/Abril: 15 varroas;Maio/Junho: 20 varroas.
Este método requer dispêndio extra de tempo e de visitas ao apiário, implicando por vezes também a adopção de medidas contra formigas, porque estas podem remover as varroas dos estrados se estiverem ao seu alcance...
Existe ainda um ou outro método que pode ser utilizado para detectar varroas nas colmeias mas eu apenas conheço estes. Vamos ver se a varroose continua a fazer das suas pelo verão fora...
Será que algum apicultôr das redondezas de Abrantes me ajuda a localizar cico colmeias lusitanas que os amigos do alheio me levaram de segunda para terça feira de carnaval teêm as tampas de chapa pintadas de branco? e teêm um v e um p pintado a spray preto tanto nas colmeias como na tampa são novas e provávelmente estarão ao lado umas das outras suspeito de uns empreiteiros que trabalham para a edp no dia antes do desaparecimento estiveram a trabalhar perto delas agradeço qualquer informação para 961086236 (Ventura Pires) Obrigado.